Quando você é responsável por ter dado errado

 

Se houvesse um manual que ensinasse o que não fazer durante um relacionamento, com certeza Jô seria uma autora de sucesso. Você já deve ter assistido o filme How to lose a guy in 10 days (Como perder um homem em 10 dias) e entendeu como nós, mulheres, agimos errado quando estamos apaixonadas. Bem, a paixão não é o problema, mas, o desespero que ela provoca é o grande causador das decepções amorosas.

Jô também viu o filme, leu revistas e livros com os 10 mandamentos de como não agir com um homem, deu conselhos diversos para as amigas e criticou atitudes de outras. Todavia, nada disso fez efeito quando ela se apaixonou por Hélio. Vou apresentar-lhes o manual de Jô e provar que ele dá certo... para afastar e acabar com qualquer romance.

Ele era um rapaz simpático, educado, inteligente e pouco atraente. Não era o tipo galã pelo qual ela sonhara, mas, era interessante. As conversas que trocaram à noite renderam uma longa caminhada pela cidade velha e terminaram em um beijo, uns amassos e um até amanhã. O até amanhã se extendeu a outro até amanhã.

Primeiro erro: A gente se fala significa exatamente a gente se fala. Não crie expectativas mediante esse verbo. Jô esperou que no dia seguinte fosse ver Hélio novamente. O rapaz, porém, só ligou e perguntou como havia sido a noite anterior. Terminou a ligação dizendo que voltaria a se comunicar com a garota. Ainda trocaram palavras por alguns dias. Mas, não se viram. O verbo usado foi falar e não ver.

Segundo erro: Nunca corra de um homem se você não tiver motivos suficientes para tal ato. Jô ainda tentou sair com Hélio outra vez. Convidou-o, mas o rapaz estava envolvido em compromissos masculinos e não poderia estar com ela. Para surpresa de nossa personagem - nada é surpresa quando o assunto é Jô - ela o avistou em uma danceteria. O último lugar que a menina poderia imaginar encontrá-lo. O espanto foi tanto que Jô saiu correndo diante dos olhos verdes dele, sem ao menos saber ou pensar no que estava fazendo.

Terceiro erro: Certas coisas não têm desculpas. Minutos depois, Jô voltou ao local e quando interrogada por Hélio sobre o motivo ao qual a tinha levado a agir tão imatura, só soube dizer que não o havia visto naquele momento.

Quarto erro: Dizer que está apaixonada faz piorar a situação. Nessa noite, a garota sentiu que não havia mais chances de ter o melhor beijo mais uma vez. Tentou ligar para uma conversa descontraída e amigável, mas Hélio não tinha assunto e estava disperço. Ela, então, soltou palavras para amenizar o desconforto da falta de interação dizendo que havia se apaixonado pelo agora galã.

Quinto erro: Jamais diga que está apaixonada quando você já teve claras evidências de que a relação acabou. Precisa dizer alguma coisa?

Sexto erro: Não cobre coisa alguma de alguém que não pode retribuir seus sentimentos. Jô nunca entendeu como aquela paixão havia acontecido. Teria que ser impossível, pois ambos se conheceram em um momento de mudança e separação. O ocorrido, porém, para ela fora intenso, verdadeiro e inesquecível. A protagonista desejava que o vilão de seus sentimentos retribuísse algo à paixão. Por isso, ela passou a cobrar atenção. Jô reclamava as faltas de respostas instantâneas, argumentava passeios e discutia o comportamento de Hélio. Em meio a vários tropeços, a garota caiu feio. A cobrança tanto saiu do real que ela proferiu palavras que certamente o machucaram e o fizeram se perguntar o porquê de tais atos.

A ela Hélio não perguntou. Mas, também não proferiu mais palavra alguma. Sumiu. Se foi de vez e eles nunca mais se falaram, se viram ou tiveram notícias um do outro. A menina ainda guarda na lembrança os momentos inesquecíveis de uma alegria intensa. Uma felicidade que durou por apenas um final de semana, mas que foi o suficiente para dizer que aqueles três dias valeram a pena e entraram para a história dos garotos da vida de Jô.

 

O outro lado da moeda

 

Não preciso dizer que a vida amorosa de Jô sempre foi um desastre, vocês com certeza perceberam nessas postagens e continuarão vendo que as catástrofes não pararão por alguns outros textos. Mas, algo nas últimas semanas me despertou a atenção e acho que merece ser compartilhado com vocês. Será verdade o ditado que diz "aqui se faz, aqui se paga"?

Conversava com uma amiga há umas semanas atrás e ela me contava que existe um garoto apaixonado por ela há anos, mas ela não o quer, não se vê com ele. Geralmente, quando as mulheres se encontram nessa situação, as perguntas frequentes estouram: por que ele não me quer, o que há de errado comigo, o que está acontecendo? Agora, eu inverteria o lado dessas questões e diria à minha querida amiga: por que você não o quer, o que há de errado com ele, o que está acontecendo?

E, em meio a essa história toda, Jô me veio à cabeça. Lembrei dos vários dias que ela me ligava para contar os foras que estava dando. Oh! Pela primeira vez, desde o nascimento desse Blog, minha personagem preferida não sairá machucada de alguma situação.

Sim, da mesma forma que chorou por muitos, Jô também fez muitos chorarem e a odiarem. Lembro-me de um garoto que ela conhecera na internet. Claro que por fotos era algo e pessoalmente... ah, pessoalmente era nada. Nada do que ela esperava. Somente conversas no primeiro encontro. No dia seguinte, porém, o rapaz apareceu na casa dela de surpresa, com um presente de aniversário caríssimo!

Jô não tinha onde enfiar a cara. O que ela poderia fazer naquela situação? Pegou o presente, agradeceu com palavras e voltou para dentro de casa. O garoto foi embora com os olhos tristes. Ligou no outro dia de manhã, a tarde, à noite, a semana inteira e não teve uma resposta. Será que o telefone de Jô estava estragado? Ou será que alguma coisa havia acontecido com ela? Será que ela teria morrido? Talvez ele estivesse mesmo desejando a morte dela naqueles dias. Mas, não. Ao contrário, ela estava lá, viva e simplesmente não a fim do garoto. 

E ele não foi o único. Alguns meses atrás ela me enviou um correio eletrônico contando que havia conhecido um menino em uma boate. O beijo dele não era dos melhores, mas para o rapaz, Jô parecia ter significado o tal amor da vida. Na mesma noite ele a chamou para conhecer sua família. E não é esse o sonho de toda mulher? Talvez seja o seu, leitora, mas, definitivamente o de Jô não seria com aquele garoto.

Ao final da noite, ele a pedira o número de seu telefone. E claro que ligou no outro dia. Dessa vez, ela atendeu, mas o informou que ele havia ligado para a pessoa errada e que ela não havia estado naquele local, pois era casada e mãe de três filhos.

Duvido que Jô teria a mesma atitude se algum desses garotos fosse Eduardo, Gaspar ou qualquer outro já citado nessa página. Os meninos, com certeza tiveram uma desilusao amorosa e se arrependeram muito de terem cruzado o caminho dela algum dia. Ela nem se importou. Deve ser a famosa teoria que reza, aquele que queremos não nos quer e o que nos quer não queremos, que esteja regendo a vida de Jô. Mas, continuo me questionando, aqui se faz, aqui se paga?  

E será que é para ser?

 

Há pouco tempo tenho percebido que não existem regras ou manuais que façam relacionamentos darem certo. Eles simplesmente dão... quando têm que ser. Apesar de clichê e de particularmente sentir um ódio profundo quando me parafraseiam: "O que tiver de ser seu, será", ou "Quando tem que ser é" e ainda "O que é seu está guardado"; preciso dizer: Sim. Quando é para ser, nada atrapalha!

Calma. Não encontrei o que (quem) é meu ainda, muito menos acredito que esteja perto de achá-lo. Mas, minha amada amiga Jô pensou uma vez que o cupido teria finalmente acertado a flecha no homem certo.

Ela e Rãnei (que nome!) se conheceram por acaso, devido obrigações do emprego de ambos. Como o trabalho de um passou quase a depender do de outro, passaram a se ver com muita frequência, porém, não perceberam que o destino encheria suas vidas de coincidências.

Quase um ano de negociações e desenvolvimento de projetos, a flecha fora lançada. Jô estava naquela fase da desilusão, de nunca mais se apaixonar, de não acreditar que exista mesmo a pessoa certa para cada ser humano nesse mundo. Quando um beijo, depois de muitos elogios, a fora roubado. Encontros, jantares e almoços aconteceram com mais intensidade. Em questão de 15 dias veio o pedido de namoro.

Um namoro proibido, tenho que confessar. Mas, a paixão era louca e àquela altura, já estava muito cega. Jô perdeu o controle e a insanidade... deixou-se envolver. Ah, antes que vocês me entendam mal, ele não era casado!!!

Só era o homem perfeito. Aquele que fazia tudo por ela, a colocava em um pedestal, disponibilizava quase 24 horas do seu dia para a garota. Rãnei a fazia sorrir sem motivo, sonhar acordada, sentir-se bela, amada, especial e única.

Era tudo tão perfeito que do dia para a noite ele se foi. Para longe... bem distante do coração e das estradas de Jô. E mais uma vez veio a famosa dor da decepção, do abandono e da solidão. O pior para ela, era ainda ter que se reunir com ele em prol à empresa para qual ela dava literalmente, o sangue. Vê-lo distante, com dedo de ouro, fazendo planos e a tirando de sua vida, era a cena mais triste daquele capítulo de novela.

Mas, claro que a vida continuou e as frases "o que é seu está guardado" voltaram a seguí-la. Meses mais tarde, com o pensamento voando em outras direções, Jô previu o futuro. Sonhou que havia encontrado Rãnei e as palavras dele eram somente um pedido de desculpas por ter partido um coração ao qual ele realmente havia se entregado. Apesar de que nada mais poderia ser feito.

Bem, nada mais se essa fosse a história da vida de outras garotas que eu conheço. Mas, estamos falando de Jô, não é mesmo? E aqui vem a terceira grande coincidência... No outro dia à noite, eles se reencontraram. No local do sonho. De surpresa. Nenhum havia falado com o outro. Se beijaram. O último beijo e nunca mais se viram. Ele seguiu com a vida, mudou o dedo e executou planos.

Ela, bem, ela ainda ficara sozinha, acreditando que "o que é para ser, será". Embora, como em um filme, novela ou seriado romântico, quase dois anos após, em uma boate com as amigas, uma plena sexta-feira de estresse, ela coincidentemente conheceria outra pessoa que apresentava muitas das principais caracteríticas de Rãnei. Entre lembranças e saudades do homem perfeito, Jô se deixou mais uma vez apaixonar-se... perdidamente. Uma mera questão de coincidências.

Continuando o assunto

 

Em um dos momentos monótonos de minha vida, entreguei-me a um episódio do extinto seriado da televisão norte-americana, Sex and the City, e deparei-me que da mesma forma em que Carrie Bradshaw - personagem principal e escritora - se perguntava como aguém distingue a pessoa certa daquela que supostamente não é certa, minha amiga Jô se confrontava no mesmo dilema.

Jô sempre ouviu de outras pessoas que no momento exato ela saberia que havia encontrado o homem certo - se é que ele exista, existirá ou existiu - e foi em meio a esses conflitos que veio a segunda e maior coincidência de sua vida: o dia em que ela pensou que tivesse encontrado o seu grande amor!

Através da internet ela conheceu Gaspar. Uma prévia do perfil do rapaz: lindo, inteligente, auto-sustentável, independente, boa idade, SOLTEIRO e, claro, ótimo diálogo. Pelo menos pelas ondas virtuais, quando eles conversaram uma única vez, por volta de fevereiro.

E não se falaram mais. Ela não se lembrava dele e ele, com certeza, também não se recordava da menina. Mas, essa não é uma história de coincidências? Sim, e é aqui que elas começam a aparecer. Pois, alguns meses depois eles se reencontraram na rede virtual. Para espanto de Jô, ele ainda se lembrava cada detalhe da vida dela - que aliás, já havia tomado outros rumos - e a garota nem mesmo se recordava de onde o conhecera.

Era sábado à noite e ele pediu que eles se encontrassem e se conhecessem pessoalmente. Assim foi feito. Três beijos no rosto, poucas palavras e nenhum outro contato. Bem, somente por telefone. Ele ligou algumas vezes e ela outras poucas.

Outros meses se passaram, mas, dessa vez Jô não havia se esquecido de Gaspar, só não estava mais mantendo contado com ele havia quase um mês. A última notícia que recebera do galã era que o mesmo passava por problemas familiares.

Sem palavras ou lembranças, Jô viajou em mais um feriado prolongado (não é preciso citar o local, é?) com as amigas. O pensamento, sonhos e desejos ocultos estavam naquele homem que deu todas as dicas de estar muito afim daquela garota. Ela, inclusive comentou com uma de suas fiéis escudeiras: "...eu poderia voltar agora para o hotel e dar de cara com ele lá, não é?" A estraga prazer, porém, não mediu palavras e ironia: "Vai sonhando!"

Bem, Jô voltou ao hotel e, duas ou três horas mais tarde lá estava ele. Lindo, loiro, alto, sorridente, do outro lado da piscina. Do jeito que ela desejou e sonhou uma semana antes da viagem. Mais uma vez o coração disparava. Conversaram por horas e horas, dias e dias. Almoçaram juntos, se consolaram um ao outro. Fizeram fotografia, piadas, músicas e trocaram afeto e carinho.

Na volta para casa uma dúvida: era ele o tal amor da vida? Chegando em casa uma resposta: o sumiço repentino de Gaspar. Nunca mais houve um telefonema, um encontro, um "chat". Nunca mais houve sinal de Gaspar. E Jô ainda continua se indagando como saberá quem é o certo, afinal, outra grande "coincidência" aconteceria anos mais tarde...

Vamos falar de coincidências

 

Também concordo com vocês que Jô sofra muito em suas relações amorosas e espero, como autora, que ela aprenda com essas experiências fantásticas. Mas, o que me chama muito a atenção nas histórias por ela já vividas, são as enormes, e por que não dizer, gigantescas coincidências.

O fato é que, conversando com essa garotinha há uns dias, deparei-me com detalhes que deverão render algumas publicações desse blog e, claro, outros garotos da vida de Jô serão desvendados.

Mas, vamos ao que interessa: a primeira grande coincidência!

Atualizando... Realmente Eduardo mudou-se de colégio, não no ano seguinte, mas no posterior, quando Jô conheceu seu primeiro namorado (calma, vocês ainda saberão dessa história). Como o pensamento só vinha a devanear no que estava acontecendo, o Senhor Prepotência que Gosta de Me Esnobar fora praticamente esquecido.

Fazia mais ou menos dois anos que ela não tinha notícias ou contato daquele ser humano. Ótima oportunidade para quem necessitava concentrar-se em estudos, já que aquele era o ano do tal maldito e sofrível vestibular. Pior ainda era ter que enfrentar a tortura da prova da universidade mais concorrida da região.

Bem, a cada ano cerca de 70 mil estudantes concorrem às 40 vagas disponibilizadas por cada curso da Universidade Federal. E Jô era mais um número de inscrição entre os tantos.

Na véspera da prova, uma noite de sábado, a garota estava inquieta. Não havia conseguido dormir. Tentava procurar o bendito sono em todos os lugares e não achava. Pensou em contar carneirinhos, mas se perdeu na contagem pensando no tempo em que não tinha notícias de Eduardo. Por onde ele andava, o que estava fazendo? Número do telefone dele ela não tinha, endereço muito menos, mensagens instantâneas pela internet ainda não eram tão utilizadas.

Mas, Jô teve um pensamento estranho: "Bem que Eduardo poderia fazer prova no mesmo local que eu!" Repito, queridos leitores, naquela época devem ter incritos no vestibular umas 30 mil pessoas, mais de 20 escolas da capital aplicariam as provas. Pergunto, quais as chances de Eduardo e Jô se encontrarem no mesmo local?

Se a matemática trazia probabilidades pequenas, o coração da menina trouxe grandes chances de uma estranha coincidência. Antes mesmo de abrirem-se os portões, no dia seguinte, os olhares dela avistaram o quase impossível: Eduardo estava lá, do outro lado da rua! Se esbarraram nos corredores da escola e para sua surpresa, Jô descobrira que o garoto estava exatamente na sala ao lado!

Coincidência? Ela nunca soube, mas a prova mal fora respondida e o resultado... bem, creio que não seja preciso dizer, não é?

O raio cai duas vezes no mesmo lugar?

 

Sabe aquela sensação de que algo está faltando? Era sempre assim que Jô se sentia em relação à Eduardo. Foram mais ou menos dois anos o vendo todos os dias no colégio e a distância entre eles aumentando cada vez mais. Ficava muito claro que o garoto não tinha interesse algum pela menina, só ela não percebia ou fazia questão de acreditar que um dia, talvez num futuro longínquo, eles,ou melhor, Eduardo, se entregaria de vez à paixão.

Infelizmente o tal inesquecível nunca pensou assim. Mas, Jô tinha fé que no fundo do coração dele havia um sentimento que, de tão escondido a levava ao sofrimento e também à esperança. Era com ele que ela dormia sonhando todas as noites e planejava dias até que a morte os separasse. Em festas de Natal, Ano Novo, Páscoa e aniversários, as felicitaçoes guardadas ao silêncio eram a ele dedicadas. Eduardo nem se lembrava da existência da garota, quanto mais em qualquer comemoração festiva do ano.

Anos mais tarde (e bem mais tarde), já sem notícias ou lembranças dele, Jô se encontrava vivendo a mesma história novamente. Se apaixonava por outro alguém que não lhe notava a existência. Através de uma amiga, ela conheceu aquele que chamou de seu marido. Foi paixão meio que à primeira vista e Jô acreditava que Naldo era sim o amor de sua vida.

Fazia tempo que seus amantes não a remetiam à imagem de casamento, casa, filhos, família. Esse era diferente! Rapaz estudado, inteligente, duas ou três faculdades, menino de família, não era qualquer um, não era para brincadeira, era para casar... Com qualquer outra, menos Jô!

Durante uns três anos ela fez planos e sonhou com o abraço e o beijo de Naldo. No mesmo período, ele namorou, pensou em se casar e terminou. E nunca ligou para Jô, aliás, nem o número dela ele sabia! Só dirigia-se à ela pela educação de cumprimentar ou conversar sobre coisas relacionadas a trabalhos comunitários.

Nunca tiveram coisa alguma. E mesmo que Jô tivesse tudo o que outra garota de sua idade quisesse ter, algo faltava. Sentia-se sozinha e frustrada no amor; a única missão da vida em que ela não conseguia obter sucesso. Havia algo de errado e esse algo era a garota. Como era possível se apaixonar duas vezes por pessoas que não retribuiam o sentimento e o pior, ter esperanças de que um dia ficaria com essa pessoa? O que estava errado?

E a saga continua

 

A história de Eduardo não acabou e não acabaria quando Jô soube que ele mudaria do colégio. Depois da ressaca da depressão, era hora de mais uma vez voltar às aulas. O ano seguinte começaria com a sórdida pergunta: o que fazer da vida, profissionalmente falando?

Enquanto várias escolhas e opções passavam pela cabeça da garota, ela visualizava a lista que indicava à qual sala de aula ela deveria se dirigir antes que o primeiro professor aparecesse em sua frente. Cerca de 50 nomes e logo no início os olhos já pararam: Eduardo Sobrenome Sobrenome! Realmente a história não teve um final.

Ele ainda estava lá, no mesmo colégio e agora na mesma sala de aula e, para complicar mais um pouquinho, poucas cadeiras distante. O sentimento dela se misturava entre a alegria, a timidez, a paixão e a vergonha. No pensamento, outra pergunta: como se concentrar nas aulas?

Respostas ela não tinha. Só não conseguia grudar os olhos no professor, pois algo a puxava como um ímã para os lados, para trás... onde quer que Eduardo se sentasse. Mas, não seria esse o momento que Jô tanto queria? Não era para ser essa a oportunidade de ficar mais perto de alguém que fazia seu coração disparar?

Essa resposta ela tinha na ponta da língua. Não estava tão bom quanto ela pensou que poderia estar. Ele não a olhava, não falava com ela, não lhe notava a presença. E ela lá, tentando ter foco em alguma coisa. Fingindo não ficar triste quando ele tinha que ir embora mais cedo por causa de uma gripe. Tratando bem porque não conseguia se desfazer de um sentimento dominador. Mentindo quando afirmava à professora que ele havia feito o dever de casa. Vivendo um sonho e um pesadelo num mesmo lugar, num mesmo instante, mas, um momento que ela desejava jamais terminar. Pena que o sinal batia e era hora de ir para casa.

O amor à primeira vista

 

Misteriosamente e em uma história recheada de fortes coincidências, Jô se apaixonou à primeira vista. Foi em uma de suas viagens de feriados prolongados que ela se entregou àqueles amores de verão; que vem e passam em poucos dias... em quatro, às vezes.

Do outro lado da piscina, numa noitede quinta-feira, um olhar e um sorriso trouxeram a sensação de "eu te conheço e não sei de onde". Talvez de um lugar distante ou até de um sonho. Mas, ela se lembrou das palavras já lidas em artigos de revista: ao encontrar o amor de sua vida você sentirá que já o viu alguma vez. E recapitulou na memória os conselhos de um livro para fazer qualquer pessoa se apaixonar por você. Aquela noite foi recheada de olhares e sorrisos duplos. 

Na manhã seguinte não se via sinal daquele garoto pelos campos e corredores do clube. Teria sido um sonho? Quase. Ele apareceu, mas não haviam olhares. Pelo menos não em direção à Jô. Ao invés do ocorrido na noite anterior, dessa vez houve um contato, uma aproximação, um beijo na mão e uma sugestão de encontro... na piscina, é claro.

Entre beijos e amassos o olhar apareceu para dizer oi e muito prazer. E a noite durou por algumas horas. E o outro dia durou por longas horas, capaz até de deixar a pele da menina vermelha pelo sol ardente (e quem é que se importa com o sol quando o melhor beijo está acontecendo?). E mais uma vez a noite foi longa. Mas, o próximo dia seria curto. Curtíssimo ao ponto de só se dizer adeus.

Ai coração que sofre! Príncipe morava longe de Jô e as possibilidades da viagem perfeita acontecer de novo eram praticamente nulas... para qualquer outra garota, não para nossa Rapunzel! Em uma e duas semanas seguintes ela mexeu os pauzinhos e conseguiu rever a paixão. E depois disso acabou. Nenhum telefonema, nenhuma mensagem instantânea, nenhum recado, nenhuma visita.

Diante dos fatos, Jô havia se esquecido das coincidências e por acasos que a permitiram conhecer Princípe. Exatos quatro anos depois do silêncio e do sumiço, eles se reviram com mais saudade, mais vontade, menos pudor, mais desejo. E acabou novamente. E o silêncio é praticamente o mesmo, a distância continua a existir, mas as lembranças ainda estão guardadas lá no fundo, bem escondidinhas no peito.

O primeiro amor

 

Jô descobriu mesmo a paixão aos 11 anos de idade. Mas, demorou uns 14 para entender que aquele sentimento da infância era amor; o primeiro amor... Como tudo começou ela não é capaz de se lembrar, apenas que era ele quem sempre esteve apaixonado, jamais ela.

Guga tinha seis anos naquela época, mas, para os olhos de Jô, ele ainda era muito criança. Era vizinho dela e isso facilitava que os dois se vissem e brincassem todos os dias. Na casa dele, a menina adulta se escondia para não ser perturbada por uma declaração de amor na porta do quarto da irmã mais nova dele: "Eu te amo, eu te amo, eu te amo...", cantava o pequeno.

E Jô fingia não escutar e corria para longe. De cima da árvore vinha outra declaração. E nas festas da vizinhança também. Até no colégio quando o garotinho passou a frequentar o ginásio. Mas Jô se achava adulta demais para corresponder aquele coraçãozinho que também descobria o primeiro amor.

Mesmo querendo sempre fugir, Jô gostava do que acontecia. E se sentia bem quando brincava com ele. Nunca de médico, mas de dentista uma vez; o paciente tentou beijar a doutora. E ela não dormiu aquela noite. Na verdade, ela não conseguia evitá-lo totalmente.

Um dia a menina foi embora, mudou-se. E o menino também. Mas o sentimento dele não acabou. O dela começou a se despertar. Ele a foi visitar na casa da tia dela, aliás, ela fez questão que ele fosse. Guga estava muito diferente, crescido, "adulto", uns 12 anos. Conversa ia, conversa vinha, e o menino deitou a cabeça no ombro de Jô. O coração dela pulsou mais forte, uma pontada atingiu o estômago e subiu ao peito provocando um arrepio!

Uns dias depois, ele foi embora, voltou para a casa num Estado distante. E ela não foi se despedir. Não podia. Mas, o pensamento a incomodava. Pela primeira vez ela se viu pensando nele. Jô estava meio que apaixonada, mas ainda teria que evitar o sentimento. Ele continuava sendo cinco anos mais novo que ela. Isso só incomodava a ela, já que ele sempre deixou claro que idade não era problema.

Meses depois ela falou com ele e ambos mostraram o desejo de se ver, se abraçar, se beijar, se entregar finalmente ao que o menino sempre disse que sentia. Uma vez mais não deu certo. Jô não pode como ele quis. E ele se cansou, disse que nunca mais iria tentar tê-la.

Anos se passaram e uns quatro depois eles se viram novamente. O coração da menina pulava, não conseguia parar de sorrir. Ele estava já com uns 19, crescido, com a cabeça entre faculdade, amigos e namorada. Jô não parava de olhar nos olhos dele. Naquela noite, ela dormira sonhando com anjos.

Quando acordou, no dia seguinte, uma luz se acendeu sob sua cabeça e Jô finalmente conseguiu entender o que o destino a tentava explicar todos esses anos: Guga tinha sido seu primeiro amor. Não era somente ele quem se apaixonou por ela aos seis, mas ela também se apaixonou por ele aos 11. E, movida por aquele impulso, ela o pediu um beijo e ele negou, dizendo que tudo tinha sido uma fase da infância dele...

 

O melhor amigo

 

Foi devido à paixão avassaladoura que sentia por Eduardo que Jô despertou o interesse em entender a mente masculina e o que se passava (se é que muita coisa passa ali) por ela. Mediante tantas lágrimas, suspiros e ilusões, a garota encontrou uma pessoa que poderia dizer a ela como e quando agir e, o principal, desistir!

Tim e ela eram quase da mesma idade. Ele tinha uma paixão doentia por uma loirinha e o sonho de ser um atleta profissional de basquete norte-americano. Mas, os dois se entendiam bem. Conversavam sobre tudo e muito mais sobre seus sentimentos. Na opinião da menina, para ele era mais fácil, já que a paixão era correspondida.

Foi ele o primeiro a dizer a Jô que Eduardo não gostava dela e acrescentou que era melhor ela olhar para os outros garotos do colégio. Ela já torcia para que a loirinha voltasse a namorar o amigo. Tim também secou as lágrimas da menina quando o amor da vida disse que não poderia corresponder àquele sentimento. Naquele dia, as palavras dele deram a ela mais força que todas as outras: "Você sabe que merece coisa muito melhor que ele. E ele não sabe o que está perdendo."

Outro dia, foi Jô quem disse a mesma coisa para ele. E a amizade entre os dois ia crescendo sempre mais. Uns até diziam que eles deveriam namorar. Mas, ambos sabiam que o amor era de companheiro, de amigo. O que os atraía era a cumplicidade e o fato de quererem tentar desvendar os mistérios do cérebro oposto.

Tim foi o melhor amigo que Jô fez naquela época do início de sua paixão por Eduardo. Sim, início, porque os ouvidos do jogador de basquete iriam se cansar de ouvir que, no ano seguinte, o amor da vida ainda estava no colégio e tanta lágrima foi, mais uma vez, derramada em vão.

Depois da chuva vem outra tempestade

 

Difícil agora seria viver os outros dias do colégio até as aulas terminarem e o "coração" poder sair de férias. O que mais parecia incomodar naquele momento era a timidez e o significado de rejeição que pairavam à mente de Jô. Olhar aquele menino cara-a-cara novamente não seria a tarefa mais fácil da escola.

O pior é que o dia seguinte foi cheio de surpresas. Ao chegar à sala de aula, com os olhos ainda inchados e vermelhos, a menina viu rostos e vozes de piedade e consolo em sua direção. Outros desviaram o assunto e alguns até davam uma risada debochada. As amigas, claro, deram apoio e ombro. Mas, não foi o suficiente perante a humilhação de sentir que toda a escola sabia que havia um amor não correspondido.

O que Jô mais queria era se esconder, porém a aula nunca terminava. Era bem possível que a noite chegasse, mas o sinal do término do dia escolar, não tocava. E que vontade ela tinha de se agarrar no travesseiro! E mais desejo ainda de se trancar no quarto e de lá nunca mais sair.

Eduardo nem sequer fora visto naquele dia. Impossível vê-lo também quando se andava de cabeça baixa todo o tempo. Todavia, inevitável não ouvir um comentário sequer. De tanta coisa que era falada no corredor do colégio, uma fora desesperadora. Um dos amigos dele informou à melhor amiga dela que no ano seguinte o garoto se mudaria de escola. Ou seja, ela não mais o veria, não falaria com ele e não teria notícias.

Aquele dia o caminho até a casa foi longo, eterno. Fome ou vontade de comer nem existiam mais. No quarto, trancada, lágrimas, soluços e um abraço apertado no travesseiro. No diário, as seguintes palavras: "Não acredito que ano que vem não verei aquele que de chato tornou-se o mais querido. Eu que não ia nem com a cara dele, agora digo que amo. Não pode ser verdade". E um trecho de uma música: "Se existe céu, você sempre será inesquecível para amar..."

Alguns minutos depois, a mãe de Jô batia na porta do quarto e a chamava para sair e comer alguma coisa. Sim, porque a vida não pode parar por causa de uma paixão.

Emoção, razão e rejeição

 

Por mais ou menos uma semana o cérebro de Jô oscilou entre agir ou continuar a receber que o seu subconsciente a fazia acreditar; que Eduardo também sentia uma atração por ela. Afinal, como ele poderia negar os olhares a ela voltados, se todas as amigas dela faziam questão de dizer: "Ele está te olhando!"? E como poderia também dizer que não demonstrava sentimentos ou mandava informações de um coração apaixonado ao fazer a menina se arder de ciúmes quando ele, de propósito, conversava com as rivais e jogava um olhar e um sorriso matador em direção à nossa protagonista?

Mas, naquele momento Jô estava descobrindo duas novas sensações. A primeira viria a persistir em sua vida por longos e eternos anos; o duelo entre razão e emoção. Como o lado sentimental de um coração apaixonado sai sempre vitorioso, Jô decidiu que contaria a Eduardo tudo o que sentia por ele e os sonhos que tinha em ficar com o garoto pra sempre.

Na semana seguinte, a menina se dedicou a ensaiar em frente ao espelho o discurso que faria quando estivesse frente-a-frente com seu Romeu. Cada gesto, olhar, palavra, sorriso que seria usado era minuciosamente avaliado pela imagem ali refletida. Difícil encaixar as primeiras palavras na primeira frase. "Eduardo, eu sei que você sabe que eu gosto de você e eu quero saber se você gosta de mim!" Não está bom! "Eduardo, eu te amo. Fica comigo?" Ah, pior ainda! E foram horas e horas para encontrar o texto perfeito.

Após o término da aula, Jô ainda teria que extender a estadia no colégio na espera de um veículo que a levasse para casa: sua mãe! O mesmo acontecia com Eduardo. Essa foi a oportunidade perfeita para a garota. Com a coragem que ninguém sabe de onde saiu, ela o chamou para conversar e deixou tudo o que preparou, sair pela boca. No ensaio, o previsto era que ao final o príncipe a beijaria e eles ficassem juntos para sempre. Mas, para o que Jô não se preparou foi a resposta do garoto: "Eu sei, mas eu não gosto de você!"

E assim a menina descobriu a segunda sensação: a rejeição. Que também viria a acompanhar por anos e anos e anos... A única atitude que a razão a permitiu fazer foi sair dali correndo ao encontro da amiga que estava fazendo a tarefa de matemática. O coração palpitava e a garganta se fechava como em um nó, os olhos tinham água. E até chegar em casa, ela conseguiu segurar o choro que durou um dia inteiro. O que Eduardo não contava, porém, e nunca soube, é que no dia anterior uma página de diário dizia: "Às vezes me pergunto se eu viverei sem ter você, se saberei te esquecer..."

Palavras (música) que tiveram muito poder!

O impossível (ou os impossíveis)

 

Foi praticamente ao mesmo tempo em que Jô se apaixonou por Edurardo que o amor impossível surgiu em sua vida. Através de uma amiga e pelas ondas do rádio a menina se deixou envolver por algo que só aconteceria se ela estivesse vivendo um filme de Hollywood ou Walt Disney. Mas, isso não importava para quem estava mesmo disposta a viver um amor platônico.

Era tão impossível que somente Jô sabia da existência do ser, aliás, ela era a única que sentia alguma coisa. O sentimento era bem a mistura de uma fã adolescente com aquela alegria que batia no peito quando os olhares de Eduardo cruzavam com os seus.

Jô nem sabia explicar o que era aquilo que ela realmente sentia, só poderia dizer que de sua boca saíam doces canções e melodias sem signifcado algum. E era justamente isso que a atraía ainda mais, a música, as letras e, claro, as infinitas fotos que ela guardava da paixão. Como a distância e o destino impediam que ambos (o trio e a garota) se esbarrassem em alguma rua da cidade, a ela só restava colecionar vídeos, posters, fotos, revistas, cds.

E a cada ano que passava crescia tanto o sentimento por Eduardo quando o amor pelos loirinhos. Até o primeiro ganhou uma canção composta pelos segundos e que dizia exatamente o que Jô sentia por ele. E cada letra ela sabia na ponta da língua. Durante o dia, a menina tinha os ouvidos no rádio e o coração nas lembranças que o colégio deixara pela manhã, apesar de saber que o impossível a fazia melhor e nunca a desapontaria. Até a língua desse amor a menina aprendeu a falar e ainda sonhava com uma declaração de amor feita a ela, através de uma canção.

Mas, o sonho durava pouco e logo ela se lembrava que tinha de voltar para a realidade e continuar enfrentando aquela difícil paixão que não se correspondia, não dava uma palavra, um sorriso e agia sem barulho. Era uma pessoa meio "speechless" (nada para dizer) que a deixava muito confusa. Mas, foi em um "mmmbop" que Jô decidiu que a situação mudaria e era hora de ela tomar uma atitude, criar coragem e dizer...

Um sentimento que gera outros tantos sentimentos

 

Depois de ter descoberto a paixão, Jô também descobriu os anseios, as dúvidas, incertezas e o sofrimento que ela traz. Nos meses seguintes, a menina não pensava em mais nada a não ser estar com Eduardo. Acordava feliz para ir à escola e encontrar alguém que ela só poderia olhar de longe, bem de longe...

Eduardo não falava mais com Jô. Teria ele descoberto o segredo da menina? Na verdade, ela nunca soube o motivo. E ia à escola pedindo para que o horário do recreio chegasse logo. Quando chegava, lá ia a garota procurar por Eduardo só para sentir o coração pulsar mais forte.

Às vezes ele olhava e sorria. Na maioria das vezes comentava algo com os amigos (que eram os mais lindos da escola) e ela nada entendia. Jô passava ao lado de Eduardo, parava na rodinha e conversava com os amigos, mas não com ele. Ai que vergonha em falar com o grande amor e de repente ele descobrir os sentimentos dela!

O recreio acabava e eles nem tinham dito um oi sequer. O resto do dia o pensamento era só nele, em querer estar com ele. À tarde, o diário se enchia de corações apaixonados e detalhes sobre o corte de cabelo, a roupa, o sapato e os gestos de Eduardo. A menina estava mais feliz, mais sonhadora. De sua boca um só assunto saía e era sobre aquele garoto.

Nos fins de semana a turma do colégio costumava se encontrar no shopping da cidade. E era lá que Jô fazia horas de caminhada andando de um lado para outro procurando somente um olhar. Um olhar que atravessava as íris e caia fundo no peito, causando uma dor que até a respiração se contia por alguns instantes.

Mas, o que Jô não percebia era que somente ela olhava, sonhava, queria. Eduardo, até aquele instante, não sabia dos sentimentos da menina. Conversava com outras garotas, abraçava-as e beijava-as também. Jô não se importava, ela sentia que algum dia teria uma razão para o tamanho do sentimento que ela carregava no peito. Agora, ela só poderia entender que estava vivendo o momento mais fantástico de sua vida e que Eduardo não era um garoto qualquer, era somente aquele com quem ela sempre desejou estar.

 

 

O amor da vida

 

O ano seguinte mudaria definitivamente a vida de Jô e ela parecia sentir isso logo no primeiro dia de aula. A primeira mudança viria em virtude de ser o oitavo ano do ginásio, logo, no seguinte era hora de pensar na vida, no futuro, em profissão.

Quando cursava a sétima série, nossa amiga compartilhou a sala de aula com um menino insuportável. Ele e Jô eram nada mais, nada menos que inimigos. Ela nunca soube explicar porque não gostava do mauricinho, o anjo de um não batia com o anjo de outro. Eduardo fazia tudo o que podia e o que não podia para irritar aquela menina.

Mas, foi no ano seguinte que esse ódio acabou. Foi no primeiro dia de aula que Eduardo veio, gentil, falar com Jô e perguntar sobre as férias de nossa menininha romântica. E foi também naquela primeira semana que eles passaram juntos todos os intervalos das aulas e o recreio. E pela primeira vez na história, não brigaram.

Eduardo parecia querer ficar na companhia daquela garota que nada tinha a oferecer. Na verdade, Jô nem se achava atrativa, melhor dizendo, sexy. Mas o garotinho que usava uma blusa de frio azul e um boné branco parecia levantar a bandeira da paz e se interessar cada dia (ou cada recreio) mais pela amizade da Cinderela (ou Rapunzel,ou qualquer outro personagem de contos de fadas que vocês quiserem pensar).

Os assuntos edificantes variavam entre "eu vi suas amigas no clube ontem" a "eu tenho uma amiga a fim de você". Espere aí, Jô! Isso você não havia nos contado. Uma amiga a fim do mauricinho? E ele se empolgou e queria já marcar um encontro. Ah, encontros de adolescentes... às 14 horas no shopping da cidade!

E, antes que pudessem acertar os detalhes essenciais do tal encontro, o sinal toca e ambos têm que voltar para a aula do quarto horário. Jô, na sala B, teria aula de inglês. Diga-se de passagem, sua matéria preferida na escola. Eduardo, da sala ao lado, de letra E, teria aula de matemática.

E foi naquela aula, sentada na primeira carteira, que Jô vira para trás e conta para a melhor amiga que Eduardo era especial, legal e que estava diferente. Pobre Jô, mal sabia ela que não era o menino que estava mudado, mas sim o coração dela que agora teria, definitivamente, se apaixonado por aquele que veio a ser o amor de sua vida.

Ah, mas havia uma preocupação: como encará-lo somente como amigo? Só o dia posterior poderia ensinar nossa amiga o que fazer. Hoje, ela só conseguiria escrever na primeira página de seu primeiro diário:

"Querido diário, estou apaixonada. Quem? O Eduardo... acredita?"

[ página principal ] [ ver mensagens anteriores ]



Meu Perfil
Estados Unidos, Nova Iorque, Mulher, de 20 a 25 anos, Portuguese, English, Livros, Música, Dança
MSN -